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Amor no drive-in, por favor, não me covid

Amor no drive-in, por favor, não me covid

Imagine um país fictício, pós-pandêmico, mas que se chama Brasil!

Imagine uma atriz recém-formada de nome Maria Clorokyna, que, nunca pisou num palco diante do fechamento de todos eles pela pandemia, e que, pelos ‘votos’ da mãe – uma renomada atriz –, nunca tirou a máscara do rosto!

Imagine um ator global com trejeitos hollywoodianos chamado Fakenewsson da Silva, que apesar de viver no mesmo país, nunca soube ou se inteirou do horror pandêmico?

Imagine um diretor-agente-de-saúde, chamado Laivyandersson que, quebrando literalmente a quarta parede com monólogos explicativos em tom sofista, reposiciona a história e suas personagens, situando os espectadores numa espécie de inércia contemplativa que, no fundo, é o que o Brasil vive. Em relação não só à pandemia, mas à política de modo geral!

“AMOR NO DRIVE-IN POR FAVOR, NÃO ME COVID” foi escrito, produzido e dirigido por Darson Ribeiro para ocupar parte do estacionamento de seu novíssimo Teatro-D, driblando os gastos de uma obra de quase um ano e, principalmente, pela caótica crise financeira de mais de quatro meses, respeitando protocolos de saúde estadual e municipal, que ainda patinam em procedimentos e regulações para a reabertura das portas.

No dia do decreto do governador, veio a ideia. Mas, confesso, pensei que seria por um ou no máximo dois meses. Não só não estou falido e entreguei as chaves do Teatro-D de volta ao GPA (Grupo Pão de Açúcar) porque abri uma Campanha de Arrecadação e saí às ruas vendendo o estoque da livraria que mantenho no Teatro em parceria com a Companhia das Letras”, explica o diretor.

O Happening floresceu no final dos anos 50 na Europa e EUA e caracterizou-se principalmente por alguns movimentos de contestação radical a alguns outros gêneros, como o Dadaísmo e o Surrealismo, unindo a uma linguagem que envolve, quase obrigatoriamente, a participação ativa e física do espectador – por isso não podia ser outro gênero”, continua Darson.

Com parceiros como Estapar e Hipermercado Extra Itaim, e co-patrocínio da Trousseau, em parte do estacionamento que é rente ao backstage, Darson praticamente virou o palco para fora, onde o público verá uma peça teatral de 40 minutos, sem sair de seus carros. A participação é realmente efetiva, com acionamentos de faróis, buzinas, água e limpador de para-brisas, pisca alerta e até a lanterna de celular, tudo que contempla um happening de verdade, e difere total e integralmente do que já foi feito até então, em tempos de Lives e online.

Conta a história de Maria Clorokyna de Jesus, interpretada por Vanessa Goulartt, cuja maior proximidade com o atuar é fazer freelas pra bacanas. E é assim que tudo começa: com ela saindo de uma festa clandestina do DJ Alok, fantasiada e achando que saiu de “E O Vento Levou”, onde atendeu até Glória Maria. Perdendo-se num devaneio que ela mesma não sabe se foi por alguma bebida batizada ou drogas (debochando da cloroquina no nome), é quase atropelada em pleno estacionamento por um ator altamente sedado pela vida ilusória que vive, também fazendo jus ao seu nome, Fakenewsson da Silva, interpretado por Ken Kadow.

É neste embate existencial entre os dois que a inventividade do criador se embasou para transpor fatos reais e fictícios, além de discursos dos mais diversos, envolvendo políticos, personalidades, apresentadores de televisão, cantores e modelos – para resumir numa grande alegoria onírica, por conta de um ‘vo-to-fa-ke” numa certa eleição que, de certa forma, condenara a jovem aspirante a atriz a um eterno questionamento do que é certo e do que é errado, estimulado por um pseudo-ator, que já não estranha mais nada, porque desde sempre viveu num mundo ‘empty’.

“… Empty! Empty! Vazia, comigo, não! No dia-a-dia da rotina, só com Clorokina. Sou dura na queda. E apesar da máscara, sou sincera. E romântica. Órfã, mas austera. Amo cinema, romance e detesto quimera. Nada de chroma key. E amo caras que abrem a porta do carro pra mim. Nada a ver com subjugação da mulher e esse feminismo metido. Gosto do que faz sentido. Isso sim, é democracia, Fakenewsson.”

Num discurso inicial pra lá de estimulante, onde uma voz, imitando certo governador dá os detalhes da encenação, os espectadores, devidamente posicionados em seus carros (até 4 por carro), terão muito pra ver e se divertir, desde músicas temáticas da época da ditadura militar, passando pelos anos 80 até hoje, somadas a efeitos sonoros, cores, luzes, fumaça – e à atração principal, um carro conversível de Fakenewsson, que o tempo todo também faz parte do happening.

“AMOR NO DRIVE-IN POR FAVOR, NÃO ME COVID” é literalmente um deboche a tudo que vimos vendo, ouvindo – e obrigatoriamente ou não – vivendo, cujo objetivo maior é justamente sacudir as estruturas que, infelizmente, por uma pandemia, se veem superadas. “O espectador deixa de ser simplesmente observador e passa a ser celebrante, juntamente com o idealizador, elenco, e equipe técnica”, explica o diretor, ao vivo e a cores.

Um dos principais textos de Fakenewsson da Silva, após ter tido o insight observador – que, na visão de Darson, também será o do espectador:

“…você disse que tá querendo me dizer que eu ‘eu tenho um jeito estúpido de ser’ e que, por isso, nós juntos estamos tendo um conhecimento crítico sobre essa democracia inventada? Por meio de um sonho? Onde até um estilo musical é tratado como desmistificador do senso comum e que a Anitta é tão igualmente a-fi-na-da quanto Callas e que por isso Caetano a convidou pra cantar e nós tolos todos entoamos a garota de Ipanema vendo Gisele Caroline Bündchen atravessar o Maracanã enquanto a Amazônia queima em chamas apagadas apenas por baldes e os índios são desprotegidos pela FUNAI e ainda temos que dizer ‘preto’ pro ‘negro’ e homem cis pra mim, porque eu nasci assim e não tenho absolutamente culpa nem nada a ver com os outros gêneros todos, e que ninguém fala mais nada do assédio do Neymar? Nem do Itamar. Nem do Clodovil, que ninguém mais ouviu?”

Vanessa Goulartt e Ken Kadow (Maria Clorokina de Jesus e Fakenewsson da Silva)

FOTO DE CLAUDINEI NAKASONE

“AMOR NO DRIVE-IN POR FAVOR, NÃO ME COVID”

Ficha Técnica:

Texto, idealização e direção geral: Darson Ribeiro

Elenco: Ken Kadow e Vanessa Goulartt

Participação Darson Ribeiro

Logomarca original: André Moia

Designer Gráfico e Comunicação: Torino Comunicação

Ambientação, Trilha e Figurinos: Darson Ribeiro

Ken Kadow veste Antrato

Vanessa Goulartt veste Arthur Caliman

Sapatos Fernando Pires

Visagismo Claudio Germano

Arte de Superfície: Adriana Rizkallah

Iluminação: Rodrigo de Souza

Iluminotécnica: LPL Lighting Productions

Sonorização: Transasom

Coreografia: Fernanda Chamma

Operação de Luz e de Som: Vinicius de Souza

Transmissão: Paulo Sergio Mesquita Martins

Fotografia: Claudinei Nakasone

Assessoria de Imprensa: Vicente Negrão Assessoria

Produção: Teatro-D www.teatrod.com.br

Serviço:

Sábados, às 19h e 21h

Teatro-D | Rua Leopoldo Couto de Magalhães, 366 (cancela do Hipermercado Extra Piso G-2)

Capacidade: ATÉ 25 carros

Classificação indicativa: Livre

FRAN’S CAFÉ TEATRO-D: porção de pão de queijo e salgadinhos, incluindo opções veganas como saladinha de grãos no potinho; saladinha de frutas e porção de churros; expressos, chocolates frios e quentes; refris, mates e cervejas.


Sábados às 19h e 21h

Teatro-D (SP)

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